Sobrevivência[retroceder]

Sobrevivência significa permanecer vivo, é a capacidade que todo o ser humano deve desenvolver para se preservar e auto-subsistir. Neste artigo abordam-se alguns conceitos fundamentais por detrás de situações de sobrevivência, que podem de algum modo surgir de maneira inesperada em algum momento na nossa vida.



Autor: tiago

Publicado: Maio 2008

Quando nos deparamos com situações inesperadas, que podem surgir em qualquer momento da nossa vida, desde pequenos acidentes até situações extremas, é útil que cada indivíduo tenha os conhecimentos necessários e que crie a capacidade de auto-subsistir, para se preservar.

Subsistir e preservar são palavras já familiares do método natural e do parkour, mas subsistir no nosso dia-a-dia ou numa situação de emergência pode-se tornar em duas coisas completamente distintas. Na realidade, a grande maioria das pessoas encontram-se bastante mas preparada para enfrentar as situações de acidente ou de catástrofe.

 

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Sobrevivência


FACTOR PSICOLÓGICO

Quando a necessidade de sobreviver ou de enfrentar uma situação de perigo surge, é necessário muito mais que técnicas e conhecimentos para ter sucesso numa situação de sobrevivência. Dificilmente alguém consegue estar totalmente preparado para reagir fortemente a essa mesma situação. Apesar de se poder ter conhecimentos ou possuir algum equipamento, encontrar-se subitamente isolado numa área remota do mundo é um choque para o sistema humano como um todo - não só fisicamente, mas também mental e emocionalmente. Dai a importância de compreender não só as técnicas mas também toda a psicologia por detrás sobrevivência.



QUERER SOBREVIVER

Durante a segunda guerra mundial foram feitas entrevistas a milhares de sobreviventes de campos de concentração, que demonstraram a extraordinária capacidade de resistência do corpo humano quando guiado pelo espírito. Os nossos corpos são máquinas complexas, mas, mesmo quando submetidos a degradantes condições, a vontade de viver pode sustentar todo o processo de vida. Em diversos casos, este espírito foi a única coisa que lhes garantiu a sobrevivência.

Por vezes em alguns dos nossos treinos, graças à fadiga, dor etc., começamos a abrandar de uma maneira evidente, abandonando o exercício a meio das repetições ou objectivos a que nos tínhamos propostos, perdendo-se a vontade de fazer algo mais. Dai a importância da disciplina.

Quando falamos em situações reais de sobrevivência, acontece muitas vezes a mesma situação, só que ao contrário de acabar ou não um treino a que nos tínhamos propostos, neste caso a questão é muito mais séria e importante.

Há casos registados de pessoas que mesmo depois de serem recuperadas e tratadas de todas as doenças vieram a morrer mais tarde no hospital, simplesmente por terem perdido a vontade de viver, de lutar pela vida.

De acordo com as experiências por que passaram milhares de militares isolados em situações de combate como no Vietname, segunda guerra mundial, entre outros conflitos, demonstram que sobreviver é em grande parte uma perspectiva mental, e que a vontade de sobreviver numa situação daquelas é um factor decisivo.

Quer estejamos sozinhos ou integrados num grupo numa situação de sobrevivência, são grandes as probabilidades de sentir problemas emocionais derivados do medo, do desespero, da solidão e do choque. Para além disto, a possibilidade de fadiga, lesões físicas, fome ou a sede pesam na vontade de viver. Quando não se está mentalmente preparado para o pior, as hipóteses de sair com vida são quase nulas.



PÂNICO E MEDO

Quase todos nós em alguma ocasião na nossa vida nos vimos perdidos ou isolados ou em alguma situação em que experimentamos medo. Medo da dor, do desconhecido, medo de qualquer coisa, até medo das nossas próprias fraquezas. Em tais condições o medo não é apenas normal, é também saudável.

O medo leva-nos a equacionar e a avaliar os perigos e riscos e apuram-nos os sentidos.

O medo é um mecanismo de defesa contra o que é hostil ou desconhecido. É um aumento da adrenalina, uma resposta emocional existente em todos os humanos. Após alguma reflexão, costumo dizer que o medo foi uma prenda que nos foi dada à nascença para nos manter alerta e para nos avisar quando uma situação se começa a tornar ameaçadora.

A meu ver todos nós sentimos medo em algum ponto da nossa vida, o que nos torna diferentes uns dos outros em situações de emergência é a forma como lidamos, como dominamos, ou como orientamos o medo. Isso pode ser feito da maneira correcta ou não. Quando não o medo pode dar lugar ao pânico.

O pânico é o pior inimigo, a resposta mais destrutiva numa situação de sobrevivência.

Quando este surge perde-se a capacidade de pensar, as energias são encaminhadas de uma maneira negativa, tornando-se impossível agir de forma correcta no sentido da nossa, sobrevivência e preservação. O pânico é outro dos factores já falados em cima, que pode levar a abandonarmos a nossa vontade de viver.

Fazer do medo um aliado e não o tornar em pânico, é um processo mental e físico em que a preparação e o conhecimento das técnicas de sobrevivência representam um papel importante, levando a um auto controlo pessoal e a um controlo do ambiente que nos rodeia.



PREPARAÇÃO
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Material

A preparação tem em vista dar à vítima uma forte protecção psicológica de modo a ultrapassar uma situação de sobrevivência.

Quando nos preparamos para ir acampar, dar um longo passeio, ou em situações semelhante, as probabilidades de vir a colocar a nossa vida numa situação extrema são aumentadas.

Apesar de como ser humano não esperarmos vir a deparar-nos com tal situação, há certas situações que se podem antecipar e que aumentam, de certa forma, as nossas possibilidades de sucesso.

As indicações que se seguem, se forem seguidas, podem oferecer um forte apoio psicológico em condições de sobrevivência:

1) Preparar um equipamento ou kit de sobrevivência para levar em qualquer viagem, que ofereça, mesmo que dificilmente, a possibilidade de ficar isolado.

2) Aprender ou colocar na cabeça tanta informação de técnicas, manuais, etc., quanta for possível. O conhecimento dessas técnicas de sobrevivência podem dar confiança e levar a vítima a controlar o ambiente de sobrevivência.

3) Se costumas fazer longas caminhadas ou acampar, leva cópias de manuais que te possam ser úteis.



SOBREVIVÊNCIA
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Condições Adversas


OUTRAS CONDIÇÕES

A dinâmica de grupo pode tanto ser uma ajuda, assim como um risco para a sobrevivência individual.

As vantagens da sobrevivência em grupo passam por haver mais mãos para executar as tarefas necessárias e o facto de o contacto com outros seres humanos poder ser uma forte motivação psicológica.
Contudo, as desvantagens também estão presentes. Sabendo que uma corrente é tão forte quanto o seu elo mais fraco, as dificuldades de sobrevivência podem ser multiplicadas pelo número de pessoas que se encontram envolvidas. Outro factor negativo de maior importância é a discórdia. A discórdia entre o grupo tem que ser evitada a todo o custo.

Tal como as reacções individuais a situações de sobrevivência se tornam automáticas, da mesma forma o mesmo deve-se suceder com o grupo. Os grupos, tais como regimentos militares que trabalham em conjunto como um só, e que possuem chefes que assumem as responsabilidades, têm as melhores possibilidades de sobrevivência. Se não houver um chefe designado, deve-se eleger um. Ter em consideração os pontos seguintes. 1) Organizar as actividades de sobrevivência do grupo. 2) Reconhecer um chefe. O chefe deve atribuir missões individuais e manter o grupo informado sobre as actividades globais para a sobrevivência. 3) Desenvolver um sentimento de mútua dependência. 4) Sempre que possível, o grupo deve tomar decisões sob a direcção do chefe. Finalmente, é bom saber que o verdadeiro teste à vontade e persistência ocorre depois de se estar quase resgatado e ninguém a bordo do barco ou avião der por ti. Não desesperar nem desistir. Se um avião estiver a voar segundo um plano de buscas, isso significa que existe alguém à nossa procura e que haverá uma próxima hipótese de se ser resgatado. O lema da sobrevivência é: Nunca desistir.

 

Acções imediatas a tomar:

Tudo que foi descrito acima, são alguns conceitos e noções básicas de sobrevivência, de um vasto e amplo universo de técnicas especificas a dominar em casos de sobrevivência. Como aqui não abordamos ao pormenor nenhuma dessas áreas, devido à extensão das mesmas, deixo de seguida uma lista dessas áreas específicas a dominar para uma melhor aptidão em situações de sobrevivência, deixando em aberto para mais tarde a elaboração de artigos de um tema mais específico.



CONCLUSÃO

Todos os perigos e técnicas de sobrevivência podem variar dependendo das características específicas de cada tipo de terreno: Deserto, trópicos, mar, clima frio etc. ou mesmo, de outro tipo de atenuantes, tais como catástrofes, ou o facto de se estar ou não em território hostil.


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